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Perda gestacional: Por que abortamentos exigem atenção especializada desde o pré-natal?

Especialista destaca a importância do diagnóstico correto, da necessidade de investigação das causas e do acolhimento emocional

Assessoria

Saúde

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A descoberta de uma gestação costuma ser acompanhada de expectativas, planos e mudanças na rotina da mulher e da família. Quando este processo é interrompido por uma perda gestacional, especialmente em fases mais avançadas da gravidez, o impacto pode ser profundo e exigir não apenas cuidados médicos, mas, também, acompanhamento psicológico e acolhimento para a mulher, parceiro e familiares.

Embora seja uma situação relativamente comum, a perda gestacional ainda é cercada de dúvidas e, muitas vezes, de sentimentos de culpa. De acordo com o Ministério da Saúde, as perdas fetais espontâneas ocorrem em, aproximadamente, 10 % a 15 % das gestações e podem ser decorrentes de fatores maternos, fetais e relacionados à própria gestação.

O médico obstetra, especialista em gestações de alto risco e professor universitário, José Antônio Martins, destaca que as mudanças físicas e emocionais da gravidez tendem a deixar a mulher mais frágil. “Quando ela se depara com uma situação de complicação, dentre elas o abortamento, perda fetal ou malformação, isto gera sentimentos de angústia, questionamentos e dúvidas, para os quais ela precisa de um apoio para melhor lidar com a situação, informações e esclarecimentos sobre o que, de fato, causou aquela situação, além de alguns cuidados que possam diminuir riscos em gestações futuras”, explica.

Médico obstetra José Antônio Martins, fala sobre perda gestacional e os cuidados necessários desde o pré-natal.

Entre as principais causas da perda gestacional está a questão genética, sendo responsável pela maioria dos abortos. “Eles estão muito relacionados à idade da mulher e, a partir dos 35 anos, aumenta muito o risco de abortamento por causa genética. Por isto, recomenda-se que a fase ideal de engravidar seja entre os 20 e 35 anos”, reforça o especialista.

Outras causas associadas a perdas gestacionais estão relacionadas a infecções, alterações anatômicas do útero, doenças imunológicas e hematológicas.

O médico José Antônio Martins salienta que o diagnóstico de uma perda gestacional não deve ser feito apenas a partir de um sintoma isolado. A paciente precisa ser avaliada por uma especialista que, através de uma entrevista clínica, exame físico, exames laboratoriais e complementares, vai buscar identificar as causas associadas e adotar cuidados para diminuir a ocorrência de complicações semelhantes em gestações futuras, a depender do caso. 

“Eu costumo recomendar que, idealmente, os cuidados comecem antes mesmo de engravidar, em uma consulta pré-gestacional. Nesta consulta, analisa-se o histórico da paciente, enfermidades associadas, alergias, passado obstétrico, intercorrências em gestações passadas, antecedentes cirúrgicos, medicamentos que faz uso, etc. Realiza-se o exame físico e solicita-se uma bateria de exames laboratoriais e complementares que podem identificar fatores de risco e permitir a adoção de cuidados prévios à gestação, minimizando, significativamente, a possibilidade de algumas complicações como aborto, restrição de crescimento ou doenças hipertensivas”, ressalta. 

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