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Com Marina Sena como garota propaganda, Bershka gera polêmica por falta de tamanhos inclusivos

Marca respondeu com ironia a uma seguidora que reclamou da grade de tamanhos da coleção; comentário foi apagado

O Tempo

Entretenimento | Moda

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Marina Sena usa peça da coleção em parceria com Bershka. Foto: Divulgação
Marina Sena usa peça da coleção em parceria com Bershka. Foto: Divulgação

Recém-inaugurada no Brasil, a Bershka virou alvo de críticas nas redes sociais após uma resposta dada a uma consumidora que questionou a falta de tamanhos maiores na coleção-cápsula lançada em parceria com a cantora mineira Marina Sena. A resposta gerou reação de outros seguidores, que questionaram o tom adotado na interação.

Em uma publicação no Instagram para divulgar a coleção, em parceria entre a conta oficial da marca e a de Marina Sena, uma usuária comentou: “como sempre nao tem pra gordinha ne @bershka ❤️”. A conta oficial da marca respondeu: “sabíamos que vocês iam entender ??”. A interação foi posteriormente apagada, o que não impediu que prints se tornassem virais nas redes.

Interação entre consumidora e marca chamou atenção nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram

Grade de tamanhos

Uma checagem direta nas páginas de produto da coleção mostra que a reclamação encontra respaldo na grade de tamanhos informada pela própria marca. O TEMPO analisou quatro peças: camiseta oversize, saia com franjas, vestido mini assimétrico e jeans boca de sino. Três delas são vendidas na grade EP a G, enquanto o jeans vai do tamanho 32 ao 42.

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Nas tabelas de medidas corporais, a cintura máxima indicada é de 80 cm. A camiseta e o vestido, por exemplo, aparecem com medidas de cintura entre 62 cm e 80 cm. No jeans, a variação é de 60 cm a 80 cm.

Problema estrutural do mercado brasileiro

A crítica também expõe uma discussão mais ampla do setor de moda no país: a padronização das medidas para o vestuário feminino. Até dezembro de 2021, o Brasil não tinha uma norma técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) específica para vestibilidade feminina baseada em dados antropométricos (tamanho, peso e forma do corpo humano). 

Em 1995, a entidade havia publicado a NBR 13.377, com padrões referenciais de medidas do corpo humano para vestuário, mas a norma foi posteriormente descontinuada e dividida em três frentes de revisão: infantil, masculina e feminina. As duas primeiras avançaram, enquanto a norma para mulheres levou anos para ser levada à frente.

Isso mudou em dezembro de 2021, quando a ABNT publicou a NBR 16.933, sobre “Vestuário — Referenciais de medidas do corpo humano — Vestibilidade para mulheres — Biótipos tipo retângulo e tipo colher”. A norma foi construída a partir de dados do levantamento antropométrico realizado pelo SENAI CETIQT por meio do projeto SizeBR, que utilizou tecnologia de escaneamento corporal entre 2009 e 2017 para mapear sete biótipos femininos no Brasil. 

A NBR 16.933, no entanto, não contempla os sete biótipos identificados pelo estudo. A norma é voltada aos tipos retângulo, caracterizado por medidas de tórax e quadril próximas e cintura pouco marcada, e colher, quando o quadril apresenta perímetro maior que o tórax. Segundo os dados que embasaram a norma, os dois grupos representam cerca de 80% da população feminina brasileira.

Outro ponto importante é que a norma não é obrigatória. As marcas podem optar por adotá-la ou não e continuam livres para definir quais biótipos e faixas de tamanho pretendem atender. É nesse espaço que surgem diferenças significativas entre as grades e reclamações de consumidoras sobre a oferta de tamanhos maiores.

Posicionamentos sobre o caso

Procurada por O TEMPO, a equipe de Marina Sena afirmou que a situação é de responsabilidade da marca. “Esse posicionamento é da marca, não da Marina”, informou a assessoria da cantora.

A Bershka foi procurada para comentar o episódio e explicar a resposta dada à consumidora. A reportagem aguarda retorno.

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